Coisas que você precisa saber sobre o Vietnã #1

Eu acho que é pior ter uma imagem distorcida de um país do que não saber nada dele… O Vietnã parece estar no primeiro caso aqui no Brasil: o que o brasileiro médio sabe ao seu respeito é povoado por imagens da Guerra do Vietnã, vietcongues, ameaça comunista, moças muito magras com roupas esvoaçantes e lanternas. Antes de pensarmos em ir para o Vietnã, minha principal referência sobre ele eram os vários filmes –americanos–que retratam a guerra.

Quando já estávamos em solo vietnamita, e para confirmar essa percepção de que temos uma visão ruim sobre o país, uma amiga me pergunta: “o que tem para fazer no Vietnã?”

Vou lhe dizer uma coisa: o Vietnã é um exemplo para o mundo. Em sua curta e recente história sem guerras, ele se ergueu como uma nação vibrante, alegre e cheia de atrativos.

Em uma série de posts, vamos falar sobre algumas dessas maravilhas e o que você precisa saber antes de ir pra lá.

Ocupações

Se você está pensando em ir para o Vietnã, talvez seja bacana dar uma olhada na história do país antes de sair de casa. Aquela região do mundo costuma passar batida nas nossas aulas de história –que privilegiam a história da civilização ocidental. Somente começam a mencionar o Vietnã nos anos 70, e mais devido ao impacto que a Guerra da Opressão Americana (como é conhecida a guerra por lá) teve sobre os Estados Unidos, do que pelo impacto sobre a própria sociedade vietnamita.

A região mais ao norte do Vietnã foi invadida e dominada pelos chineses por cerca de 1000 anos –traços da cultura chinesa ainda aparecem nos templos daquela região. A expulsão dos chineses é até hoje motivo de orgulho dos vietnamitas, tanto é que o lago da região central de Hanói –Hoan Kiem– é nomeado em homenagem uma das lendas desta guerra. A dominação ainda é motivo de animosidade entre os dois países, que disputam um território no Mar da China.

Se você se incomoda com chineses na Torre Eiffel, Museu Britânico ou Disney, o Vietnã é uma boa alternativa: poucos chineses cruzam a fronteira para visitar o país. E, quando cruzam, percebe-se ao longe sua nacionalidade.

Depois que os chineses foram expulsos, em 939, o Vietnã ficou quase 1.000 anos em paz e conseguiu formar uma monarquia própria. Até que, em 1859, chegaram os franceses achando que tinham direitos àquelas terras. Quando você ouve falar de Indochina, é o território do Vietnã, parte da Tailândia e Camboja ocupado pelos franceses.

A dominação durou 92 anos –período no qual a potência europeia sugou tudo o que podia por ali. Durante a Segunda Guerra mundial, foi invadido pelo Japão, que depois ganhou permissão dos franceses para manter tropas no local. Isso aumentou ainda mais a exploração dos recursos, levando a uma fome generalizada em 1945 –matando mais de 2 milhões de pessoas.

Durante este período, os espertinhos franceses mantiveram a coroa vietnamita no lugar, gerando o que depois veio a ser chamado de “imperador-marionete” –pois, de fato, era apenas uma figura alegórica. Quem governava eram os franceses.

Quando por fim os franceses foram expulsos, junto com os japoneses, os Estados Unidos entrou em cena para “defender o mundo da ameaça comunista”. O país, que já estava em guerra com os franceses de 1946 a 1954, entrou em guerra com os Estados Unidos a partir daí. A guerra de Opressão Americana durou nada mais, nada menos, do que 21 anos.

A típica estrutura vietnamita: pacíficos bonsais ao lado de instrumentos de guerra.

Vinte e um anos, após oito anos de guerra contra a França –29 anos ininterruptos de guerra em um país. Realmente, o Vietnã deveria ser uma grande ameaça naqueles dias, não?

Daí você se pergunta, o que os Estados Unidos estavam fazendo lá do outro lado do mundo, impedindo que um país se unisse? Um relato muito elucidativo a respeito, escrito como uma catarse de um veterano da Guerra, pode ser lido aqui.

Depois dessa pequena aulinha de história vamos nos despedir.

Até o próximo post!

 

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